7 de janeiro de 2010

A Mamã e o Papá

esta é a minha primeira reflexão sobre a minha actividade profissional enquanto profissional, no início do ano que supostamente será, a nível profissional, talvez não o mais gratificante mas pelo menos o mais pacífico e apaziguante. dizem.
"um médico que só sabe de medicina nem de medicina sabe" - ouvi esta frase de abel salazar nas primeiras horas da manhã, o que foi bom porque é uma das minhas preferidas no baralho das grandes máximas sobre a ciência, a arte, a praxis ou o que lhe quiserem chamar. a maioria destas máximas estão cheias de conteúdo mas, pela repetição, perdem o sentido. esta ainda não deixei de compreender.
como cada artista tem a sua escola e desejavelmente o seu registo próprio, cada médico tem o seu estilo. de raciocínio diagnóstico, de apontamentos clínicos, de intervenção terapêutica e de comunicação com o doente. para além da gíria intrínseca a cada especialidade, há o arsenal de expressões pessoais que funcionam como tiques. falando da gíria, em especialidades em que se trabalha com bebés, a ana deixa de ser a ana para passar a ser a mamã isto, a mamã aquilo, e o rui passa a ser o papá para aqui, o papá para ali. este trato é extremamente prático e facilita a vida a quem lida com 25 casais de papás por período de trabalho. é que uma pessoa ao fim de uma manhã continua a parecer fofinha só com esta artimanha. mas dá-me que pensar se não quero continuar a ser tratada pelo nome quando for mamã. quanto às expressões-tique, há-as de todos os tipos. valha-nos quando são só maneiras de dizer simpáticas que se tornam ridículas pelo excesso de uso. outros casos, não raros, há.

2 Comments:

Blogger R. said...

há um tique que é particularmente chato, e que vem da boca de velhinhas que só nos querem mostrar respeito: "senhora doutora" praqui, senhora doutora prali, em cada frase 3 destas! É uma atitude de subserviência que preferia que não me fosse dirigida... mas entendo também o afecto com que o dizem.

7:56 da tarde  
Blogger a ortónima said...

o "mamã" e "papá" é bastante tolerável, ainda que despersonalizado. ouvir várias senhoras idosas a eito serem tratadas na urgência por "oh minha querida"-isto..., e "oh minha querida"-aquilo..., chega a criar algum prurido...

bom início de ano comum! ;)

1:37 da tarde  

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