28 de Novembro de 2011

O Direito à Preguiça

depois de anos e anos (não tantos que tudo é relativo, e que bem entendido ainda hão-de continuar) de hiperactividade mental, de insónias alternadamente iniciais e intermédias e terminais, ansiedades ruminativas com pormenores minúsculos que me ocupam os dias, um bicho de sete cabeças à volta das tarefas mais simples (a par de umas quantas saídas airosas em tarefas menos simples e potencialmente problemáticas), nenhuma decisão fulcral até à data adiada e outras quantas a que me recuso dar a devida importância e vou repetidamente adiando, depois de anos e anos faz-me sentido o título de Paul Lafargue (que não li), esse direito agora inadiável que me concedo gozar por uns dias.
é um pensamento recorrente que tenho ultimamente, por que não posso ficar na cama hoje e não ir às aulas? havia mais coisas é claro. o almoço na cantina universitária, a revista e o que fizemos dela e como mais uma vez não sabemos se desapareceu para sempre ou se vai renascer, as faixas pintadas no palco da sala de alunos, tudo cada vez mais errado mas sol ao fim da tarde no estádio, o loucos e sonhadores, tão de repente que passou tudo e agora já não posso ficar na cama e não ir às aulas.
talvez devesse ter escolhido outra ocupação, uma em que tivesse tempo para me espreguiçar e ir escrevendo, em que pudesse exercer o direito à preguiça em mais do que 20 dias úteis por ano, em que tivesse fins-de-semana e noites, não sei. é outro pensamento recorrente que tenho ultimamente.

14 de Setembro de 2011

Legenda sobre a foto abaixo

durante anos, estas foram as minhas janelas para o mundo.
não fosse não as poder abrir para deixar entrar o vento, e não me poderia queixar.
da esquerda para a direita e de cima para baixo: fragmentos da estrutura da ponte vinte e cinco de abril durante uma travessia de comboio, vitrais coloridos espelhados no museu picasso em paris, notre dame na mesma cidade, falha no vidro fumado roxo de um jeep estacionado no deserto de sal, não me recordo talvez praga ou ainda paris, fim de rua chegando à praia de porto pim na horta, não sei, abóbada de pedra na ilha do sol, lago titikaka, parede de galeria em praga, casa de pedra abandonada em monsaraz, paisagem de fim de tarde com nuvens no alentejo, prenda de uma amiga com alma de artista, praga, músicas do mundo em sines, parede da livraria shakespeare, azinheiras indo de comboio para évora, casa abandonada em setúbal no centro foi o início de tudo, moinho de vento no terraço, teia de aranha...

13 de Setembro de 2011

28 de Agosto de 2011

ENCERRADO PARA FÉRIAS
como a maioria dos estabelecimentos.
agosto é o mês dos projectos adiados.

9 de Julho de 2011

coisas que mudam numas semanas de distracção e depois de algumas noites-sem-fim: os dias estavam a crescer e agora já estão a mingar; as lojas de roupa tinham acabado de pôr na montra as colecções de verão e agora já vão na 3ª ronda de promoções; as praias há pouco sossegadas estão cheias de famílias e do seu entusiasmo sonoro; o cinecartaz está cheio de títulos que pouco ou nada me dizem; o concerto dos portishead é já daqui a uma semana; acabei de ler a idade da inocência e lembrei-me como me tinha deixado melancólica o final do filme; ah, mudou o governo e sempre para pior; chegou um memorando de uma coisa-meia-entidade-fantasmagórica chamada troika.

31 de Maio de 2011

bem, escrevo mais quando estou muito triste ou muito contente.

17 de Março de 2011

Somewhere

não gostei do filme pela repetição do tema, mas não consegui deixar de pensar na música dos strokes, aquela de fundo, saindo da pequena aparelhagem portátil, na cena da mesa de pingue-pongue. i'll try anything once, descobri que se chama assim.