4 de agosto de 2004

1972

o sótão. o tecto era inclinado e azul. as paredes dos lados eram vermelhas. a parede atrás de mim – vermelha – tinha quadros. o vermelho de 72. havia um tapete em forma de sol, cor-de-laranja, no chão. lembrei-me de ti, por causa dos sons. um dia, ensinas-me a ler os sons? e a adivinhar o minuto seguinte na imprevisibilidade do segundo presente?
um dia, compro aquela casa. a escada em caracol, o retrato a sépia em cima da secretária, o triângulo de vazio no vidro das janelas de baixo.não percebo como te esqueceste do sol. o tecto imaculadamente branco, com a rosácea esculpida na neve, as portadas duplas e os móveis altos e excessivamente trabalhados. tudo isso podias ter esquecido. até mesmo os fantasmas que voam pela casa. até mesmo essa tal cor enfadada que o avô espalhou pela casa. mas não percebo como esqueceste o sol...