31 de julho de 2009

No guns, no mobiles, no sex

The Limits of Control (2009)
Jim Jarmusch


fui ver na noite da estreia, acção pouco habitual como se sabe. mas não pude guardar a curiosidade, o entusiasmo, o medo da decepção. e fui, e paguei o balúrdio que se paga agora por um bilhete nas salas comerciais, ainda por cima impresso em tinta térmica que desaparece ao fim de uns meses. e ainda, em detrimento do "pirates" do polanski, na esplanada da cinemateca, na recta final dos piratas a cores. azar, em setembro há 007 na esplanada - já vos tinha dito, by any chance? e fui, e valeu tanto a pena. jarmusch e a obsessão pelas chávenas de café, pela idiossincrasia dos personagens e dos seus actores, pelos diálogos meta-qualquer-coisa (que me falta o vocabulário para a crítica de cinema, quero dizer que são tão bons!), pelas referências artísticas (ou geográficas, algumas pouco acessíveis, vá, que vergonha, ser a única pessoa a rir na sala, mas acho que percebi bem). recomendo vivamente, mesmo a quem não tem particular interesse no realizador.

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19 de maio de 2009

Thel

Dead Man / 1995
Jim Jarmusch

a cinemateca tem sido o meu espaço único de entretenimento nas últimas semanas. tenho pensado que os filmes são como tabletes de chocolate, potenciais fontes de prazer imediato, os primeiros com a vantagem sobre as segundas de não engordar, e ambos estímulos fundamentais para a minha resignação em persistir neste mundo apesar das coisas más que são tantas. hoje insisti em ir à sessão das três e meia, hora um pouco incómoda para quem não seja aposentado, desempregado ou criança em idade pré-escolar. obviamente (e pela primeira vez na minha carreira brilhante de obsessiva-compulsiva, devo acrescentar), cheguei uns minutos atrasada, e como não há aquela publicidade e os trailers das próximas estreias como nas salas comerciais, entrei já a meio do pré-genérico. ao primeiro passo, achei que ia pôr o pé em falso e rebolar por ali abaixo, pelo que tacteei cuidadosamente o degrau até ao fim, e nem uma réstia de luz, e percebi então que não conseguia ver que lugares estavam vazio, achei que me ia sentar acidentalmente ao colo de alguém, e então apalpei convictamente o braço da primeira cadeira e lá a ocupei que estava mesmo vazia.
quis ver este filme sobretudo por causa do realizador, o mesmo do coffee & cigarettes (que deu o nome a este blog, e logo daí se vê como foi um marco na minha adolescência). também aprecio bastante o johnny depp, mas não tanto que me faça insistir em ir a uma sessão das três e meia. não me desiludi, pois então. é curioso que qualquer filme em que o dito johnny entre parece feito à sua medida, o papel para o actor e não o actor para o papel. igualmente curioso ver de novo o iggy pop no grande ecrã, ainda para mais sendo uma "sally", e o alfred molina, feito missionário vendendo tabaco.
da tendência alucinatória de jarmusch conhecia já a peça central do night on earth (se me não falha a memória), mas este são 117 minutos de acontecimentos improváveis em cenários esquisitos (de uma esquisitice que me fez lembrar lynch). guardo a vertiginosa thel, que fazia flores de papel.

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